sábado, 9 de julho de 2011

Conversa de Banheiro, (:


Em meio a tanta tecnologia, deveríamos procurar estar sempre bem informados. Algumas pessoas sem grande conhecimento de mundo acabam passando por situações... Tensas, por se espantarem com coisas tão simples do nosso dia-a-dia. Ou essas pessoas podem estar apenas se fazendo, o problema mesmo é quando os outros não sabem disso...
Alguns dias atrás, fui a uma festa com duas amigas. Tudo muito bem organizado, decoração impecável, e o vestido da aniversariante, lindo. Mas alguns convidados não estavam muito satisfeitos, e é claro, eram adolescentes, ou melhor, nossos amigos. Depois de passarem o enorme arranjo de flores da mesa de mão em mão, e de uma das moças da organização tirar o arranjo de perto da gente, eu e minhas duas amigas decidimos ir ao banheiro.
Nada é pior do que chamarem sua atenção em uma festa por causa de algo que você não fez. Mas esse é o tipo certo de festa onde a galera paga muito mico, tipo, esbarrar no garçom fazendo ele derrubar toda a bandeja de bebidas no chão e seu melhor amigo escorregar na poça enquanto executava um moonwalk perfeito.
Entramos no banheiro e, como toda adolescente normal, corremos para frente do espelho. Enquanto me concentrava em fechar o sutian problemático da minha amiga, algo chamou a atenção da Fernanda. No canto da pia, tinha uma cestinha rosa cheia de objetos curiosos. A Fernanda como a observadora discreta que é, já foi logo puxando a cesta e gritando pra os quatro cantos um sonoro “O que é isso?”, e por um momento deixamos o sutian de lado para reconhecemos o que tinha ali dentro.
— Ah, absorventes! — exclamei.
— Do mais barato que tinha no mercado, — riu Eduarda, a garota do sutian problema. — Meu Deus, nem pra comprar absorventes descentes!
— Fala, sério, Duda! Você acha mesmo que eles iam gastar com absorventes? — indaguei.
— Ah, nas outras festas que eu fui, tinha absorvente do bom, embora que eu nunca precisei usar, mas além dos absorventes tinha chapinha, secador, maquiagem...
— Ei galera, olha isso... — gritou Fernanda, que segurava um pacotinho rosa nas mãos  — pra que serve?
 Peguei o pacote e li o que tinha escrito na embalagem.
— Ah, são lenços umedecidos, serve pra limpar o...
— AH! — fui interrompida pelo suspiro de revolta da Nanda. — Porque aqui não tem camisinhas? — com a sobrancelha arqueada, ela cutucava a cestinha com o dedo indicador.
— Pra que você quer camisinhas aqui? Você nem precisa disso! — disse rindo, mas depois fiquei séria — Você não precisa, precisa?
— Ah, claro que não! — ela disse de imediato —Mas imagina se alguém lá fora precisa!
— Olha, amiga — começou a Duda — Pense pelo lado bom, pelo menos não vão fazer isso no banheiro feminino!
— Aliás, se é pra ter camisinha, que seja no banheiro masculino! — disse enquanto as duas caiam na risada.
Nosso momento de idiotice extrema foi interrompido por um barulho vindo da cabine ao lado da pia. Ficamos estáticas. Tinha alguém ali. Alguém tinha escutado nossa conversa. Pânico? Ah, não até sabermos quem era.
— Ãn... Meninas, será que vocês poderiam me passar os lencinhos que estão na cestinha? O papel higiênico acabou.
E ai, reconhecemos a voz da mãe da aniversariante. Agora sim: PÂNICO! CORRE!
Saímos correndo do banheiro e deixamos a mulher lá, sem papel, sem lenço, apenas com nossa desmoralização. Uma coisa era certa, essa mulher jamais convidaria a gente pra outra festa, mesmo que ela conseguisse algo para se limpar e pudesse sair do banheiro. Mas tudo bem, era só evitar beber muito refrigerante, pra não ter que ir lá novamente, e tudo certo. Ninguém saberia disso.
— Nossa, que tenso! Não sei por que as pessoas insistem em ter esse tipo de conversa no banheiro... — A Duda ia falando enquanto andava de costas para poder olhar para a gente.
— Duda, CUIDADO! — gritei enquanto ela se aproximava do enorme vaso de vidro perto da mesa de balas.
Ela se virou a tempo, ficando do lado da mesa, a centímetros do vaso. Mas para nossa infelicidade, o sutian que nos esquecemos de fechar completamente resolveu se revoltar e soltou todo de uma vez, e na tentativa falha de segurar o que nunca deveria cair, Duda bateu no vaso com o cotovelo, fazendo-o cair, e todos os convidados olharem em nossa direção de uma só vez.
É galera. Hora de ir para casa.
                                               Fim de Festa.                                             


Beijos, Larissa

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